Foram várias as vezes que me encontrei com o Poeta, muito especialmente nos inesquecíveis serões de leitura e convívio da Onda Poética. Sempre me fascinou a sua robustez, a sua lucidez, aquele brilho nos olhos, aquela voz que tão bem lia os seus próprios poemas, que os comentava, sempre com uma pontinha de humor, de ironia, própria de um espírito que foi sempre jovem. Por isso, não queria deixar passar a oportunidade de lhe prestar uma singela homenagem por ocasião do seu recente desaparecimento físico.
Edgar Carneiro nasceu em Chaves em 8 de Maio de 1913. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, em Coimbra, onde conviveu com vultos da nossa cultura como Miguel Torga, Fernando Namora e Joaquim Namorado. Foi Diretor da Escola D. Pedro V, hoje Escola Básica D. Moisés Alves de Pinho, em Fiães. Radicado em Espinho a partir de 1967, foi professor na Escola Comercial e Industrial de Espinho, hoje Secundária Dr. Manuel Gomes de Almeida, onde privou com outro vulto da cultura local, Marmelo e Silva.
Fez parte do Orfeão Académico de Coimbra, foi um dos fundadores do TEP - Teatro Experimental do Porto e um dos poetas mais assíduos na tertúlia Onda Poética, coordenada pelo professor e poeta Anthero Monteiro. Foi condecorado com a medalha de honra da cidade e o título de cidadão de Espinho a 16 de Junho de 2009.
A sua obra poética merecereu elogios dignos de registo. João Gaspar Simões diz que ela “atinge alturas consideráveis no nosso lirismo”. Luís Miranda Rocha encontra na sua poesia duas características fundamentais: “o rigor da escrita” e “a dependência no referencial em relação à realidade social, regional”. Ernesto Rodrigues reputa-o como “o nosso melhor artista em verso curto”. Anthero Monteiro acha a sua poesia “eminentemente solar, diurna, luminar, simultaneamente telúrica, quase vulcânica”, “característica que remete para o Amor, para a Liberdadee para o Sonho, sempre presentes nos seus versos, a par de uma linguagem concisa e rigorosa, mas enriquecida, não raramente, por uma temática sensitiva e plena de erotismo.”
Faleceu em Espinho a 15 de Janeiro de 2011.
Obras de Edgar Carneiro: Caminhos de Fogo (1934), Poemas Transmontanos (1978), Tempo de Guerra (1980), A faca no Pão (1981), Jogos de Amar (1983), Rosa Pedra (1985), O Signo e a Sina (1989), Vida Plena (1991), Mar Amar (1992), Antologia Poética (1998), A Boca na Fonte (1999), Lúdica (2000), Depois de Amanhã (2003) e Périplo (2009).